sexta-feira, 23 de maio de 2014

120 anos do RELATÓRIO DA MISSÃO CRULS (1894 - 2014)

Nos 120 anos da Missão Cruls, homenageamos dois intelectuais que pensaram Brasília antes de JK

(Xiko Mendes, Cadeira VI, APL)

No dia 7 de maio de 2014 comemorou-se 120 anos da 1ª edição do Relatório da Missão Cruls. Aproveitamos essa efeméride para celebrar duas dignas personalidades que Brasília desconhece e ignora.
Francisco Adolpho de Varnhagem, VISCONDE DE PORTO SEGURO, notável diplomata e historiador, esteve por seis meses aqui no atual território do Distrito Federal, em 1877, conhecendo e estudando por conta própria qual seria o melhor lugar para construir a nova capital do Brasil que seria chamada de Imperatória.
Tanto na sua obra “Memorial Orgânico” quanto postumamente também na obra “A Questão da Capital: Marítima ou no Interior” (esta fruto de sua viagem acima citada, quando se hospedou em Formosa), ele defendeu a construção de nossa Brasília entre três belas lagoas (Feia, Formosa e Mestre D’armas), na área que naquela época (1877) pertencia a Formosa-GO (Planaltina-DF não era cidade e pertencia ao território formosense). Essa região foi batizada como Chapadão Visconde de Porto Seguro, pela Missão Cruls (17/5/1892 – 7/5/1894).
Lauro Müller, outro grande brasileiro, filho de imigrantes alemães (1863-1926), que também deu sua contribuição a Brasília, mas que assim como o Visconde de Porto Seguro, as autoridades do DF não se lembram dele. Foi deputado, governandor de Santa Catarina, ministro de estado e membro da Academia Brasileira de Letras. Como deputado constituinte, Lauro é o AUTOR DA EMENDA que se converteu no Artigo 3º da Constituição Federal de 1891, que tornou obrigatória a demarcação do território do futuro Distrito Federal numa área (depois chamada de Quadrilátero Cruls) correspondente a 14.400 Km2, que abrangia os municípios goianos de Formosa, Planaltina e Luziânia.

A Missão Cruls, que estudou o território brasiliense com o objetivo de se construir Brasília, é fruto dessa emenda do catarinense Lauro Müller. Parabenizamos esses dois pioneiros de Brasília ignorados pelos rituais solenes em estilo “chapa branca” que celebram em 21 de abril apenas a tríade JK, Niemeyer e Lúcio Costa. Brasília é obra coletiva do nosso povo. 

Nenhum comentário: